Existem campanhas digitais que permanecem à superfície e outras que atravessam o ecrã para desafiar a sociedade de forma direta. #StopRepeatingStories, criada pela SERVICEPLAN GERMANY / PLAN.NET GERMANY para o Zentralrat der Juden in Deutschland (Conselho Central dos Judeus na Alemanha), pertence claramente ao segundo grupo. Distinguida com o iF Design Award 2025 na categoria Communication, Film/Video, esta campanha mostra como o design, o cinema e a inteligência artificial podem unir-se para combater o antissemitismo através da emoção e da empatia, sem abdicar de uma linguagem visual contemporânea e impactante.
Para quem trabalha em design gráfico, branding, web design e campanhas digitais a partir de Barcelona, este é um exemplo claro de como a criatividade pode ser uma poderosa ferramenta de responsabilidade social.
A campanha surge num contexto tão sensível quanto urgente. Oitenta anos após o Holocausto, a Alemanha regista um aumento alarmante de ataques antissemitas: os casos diários passam de 7 para 29 em apenas alguns meses. No entanto, a resposta social não acompanha a gravidade do problema. O silêncio, a indiferença e uma perigosa sensação de “isso não me diz respeito” predominam. Mesmo quando vozes relevantes da comunidade judaica alertam para paralelismos com o início do nacional-socialismo, a reação pública é morna.
O desafio do Zentralrat der Juden in Deutschland e da equipa criativa era duplo: por um lado, mostrar que o antissemitismo é um problema atual, não um capítulo encerrado nos livros de história; por outro, evitar reduzir as pessoas judias ao papel de vítimas. A questão que orienta o projeto é direta e incisiva: como gerar empatia real numa geração que não viveu o Holocausto, sem recorrer sempre aos mesmos recursos visuais?
Para uma agência de comunicação como a nossa, especializada em campanhas de marketing digital e design gráfico em Barcelona, este posicionamento é fundamental: não basta comunicar uma mensagem, é preciso encontrar a forma mais honesta e eficaz de o fazer, conectando com a sensibilidade do público atual.
A solução conceptual de #StopRepeatingStories é tão simples de compreender quanto desafiante de executar. A campanha assenta em três vídeos que, à primeira vista, seguem o formato clássico dos testemunhos de sobreviventes do Holocausto. Pessoas idosas, rostos marcados pelo tempo, vozes serenas a relatar atrocidades que julgamos conhecer.
Contudo, à medida que os vídeos avançam, algo inesperado acontece: o rosto e a voz dos protagonistas rejuvenescem graças à inteligência artificial. As rugas suavizam-se, os traços mudam, a pele torna-se mais lisa, o olhar ganha juventude. O que começa como um relato do passado transforma-se numa revelação desconfortável: quem fala não são idosos de 90 anos, mas jovens de cerca de 20 anos que poderiam estar a viver estas experiências hoje.
O efeito narrativo é arrebatador: o espectador percebe que não está a assistir a uma reconstituição histórica, mas sim a um reflexo do presente. Daí o nome da campanha: “Stop Repeating Stories”. Não são histórias distantes; são padrões de ódio que corremos o risco de repetir se continuarmos a ignorá-los.
Para dar vida a esta ideia, a equipa da SERVICEPLAN GERMANY / PLAN.NET GERMANY desenvolveu uma solução híbrida que alia filmagem tradicional a tecnologia de ponta. Primeiro, são gravados jovens atores e atrizes, com cerca de 20 anos, a interpretar os testemunhos perante a câmara. Depois, entra em ação a ferramenta proprietária “Gen AI”, juntamente com técnicas de Retime e motion estimation, que permitem criar uma sequência de cerca de 200 fotogramas onde os rostos envelhecem até se tornarem supostos sobreviventes do Holocausto.
O processo é o inverso do habitual no cinema ou publicidade: aqui, parte-se da juventude para a velhice e, depois, esse percurso é revertido na montagem final. Cada detalhe — manchas, rugas, volumes, texturas — é cuidadosamente tratado para garantir uma transição orgânica e credível. A inteligência artificial não é usada como mero efeito especial, mas como ferramenta de design emocional: o que importa não é o truque, mas o impacto emocional que provoca em quem assiste.
A banda sonora acompanha esta viagem com uma peça de violino atonal composta por Not A Machine, reforçando a tensão e o desconforto, sem recorrer ao dramatismo fácil. Imagem e som entrelaçam-se num crescendo que culmina num silêncio desconcertante, imediatamente antes de o principal apelo se tornar claro: “Nunca mais” não pode ser apenas uma frase do passado; tem de ser um compromisso do presente.

Para além do efeito de envelhecimento e rejuvenescimento, a campanha destaca-se por um design visual sóbrio e contido. Não há excesso de grafismos nem sobreposições desnecessárias: o enquadramento centra-se no rosto, no olhar, na voz. Este minimalismo formal permite que a mensagem seja o verdadeiro protagonista e evita transformar a dor em espetáculo.
A paleta cromática mantém-se em tons discretos, ligeiramente desaturados, evocando arquivos históricos sem cair no cliché do preto e branco. A iluminação, o tratamento de cor e a montagem reforçam a sensação de continuidade: passado e presente fundem-se num mesmo plano temporal. É uma abordagem alinhada com as melhores práticas do design audiovisual contemporâneo, onde cada decisão estética serve o conceito.
Da perspetiva de uma agência de design gráfico e branding em Barcelona, esta campanha é um exemplo perfeito de como o domínio da linguagem visual pode amplificar uma mensagem social sem recorrer a estridências. O design não compete com a história: sustenta-a.

O impacto de #StopRepeatingStories não se explica apenas pela sua força criativa; resulta também de uma estratégia de comunicação digital cuidadosamente planeada. A campanha foi lançada em colaboração com a comunidade do Conselho Central dos Judeus na Alemanha e com influenciadores de referência como Raul Krauthausen e Culcha Candela, que amplificaram a mensagem nas redes sociais.
Os resultados falam por si: mais de 1 milhão de visualizações nas redes, um aumento de 2000 % no alcance do Instagram e um crescimento de 400 % no LinkedIn. Números que provam que, quando uma história é bem construída e alinhada com uma causa relevante, o público responde.
A campanha foi ainda reforçada com uma instalação exterior na Hermannplatz, um dos pontos centrais de Berlim, e com uma conferência de imprensa a nível federal que levou o tema aos meios de comunicação generalistas. Esta combinação de estratégia digital, presença mediática e ações no espaço público transforma o projeto num verdadeiro ecossistema de comunicação — precisamente o que procuramos ao desenvolver campanhas integradas na nossa agência em Barcelona.

Um dos grandes méritos da campanha é não se limitar ao impacto emocional. O projeto é complementado por um microsite dedicado: stop-repeating-stories.org, onde são apresentadas recomendações simples e acessíveis para agir contra o antissemitismo no quotidiano. Conselhos, recursos partilháveis, materiais para download e sharepics transformam a indignação em pequenos gestos concretos.
Esta vertente digital faz da campanha uma referência para quem trabalha em web design e experiência do utilizador: o site não é apenas um repositório de informação, mas uma plataforma de ativação. O design interativo está ao serviço da mudança social, facilitando o envolvimento imediato de cada pessoa, seja ao partilhar conteúdos, informar-se ou questionar atitudes normalizadas.

Para além dos números, #StopRepeatingStories deixa um legado relevante no universo do design com propósito social. A campanha prova que a inteligência artificial pode ser usada de forma ética e responsável, não para distorcer a realidade, mas para a tornar mais visível e compreensível. A tecnologia não ofusca a mensagem; potencia-a.
O projeto oferece ainda uma lição valiosa para agências e estúdios de design — em Berlim, Barcelona ou qualquer outra cidade —: quando estratégia, conceito, execução visual e tecnologia estão alinhados, o resultado ultrapassa a publicidade e transforma-se numa conversa social. Não se trata apenas de criar uma campanha de marketing, mas de despertar uma consciência coletiva.
Num ecossistema saturado de conteúdos, #StopRepeatingStories recorda-nos que o design continua a ter o poder de nos parar, de nos inquietar e de nos fazer pensar. E essa é, talvez, uma das funções mais nobres da comunicação.

#StopRepeatingStories não é apenas uma campanha premiada; é um alerta urgente de que o ódio não desaparece por si só. O trabalho da SERVICEPLAN GERMANY / PLAN.NET GERMANY, em colaboração com o Zentralrat der Juden in Deutschland, demonstra que o design gráfico, o cinema, o branding e a comunicação digital podem ser ferramentas poderosas contra a indiferença.
Enquanto agência de comunicação especializada em campanhas digitais, web design, identidade de marca e redes sociais em Barcelona, vemos neste projeto um exemplo claro do caminho que o nosso setor pode seguir: campanhas que não procuram apenas visibilidade, mas também responsabilidade; projetos que aliam criatividade, tecnologia e ética para transmitir uma mensagem inequívoca: “Nunca mais” não é um slogan do passado, é uma missão do presente.
Projeto: #StopRepeatingStories
Cliente: Zentralrat der Juden in Deutschland K.d.ö.R., Berlim, Alemanha
Agência / Estúdio: SERVICEPLAN GERMANY / PLAN.NET GERMANY, Munique, Alemanha
Produção: SERVICEPLAN MAKE
Prémio: iF Design Award 2025 – Communication, Film/Video
Equipa criativa (seleção): A. Schill, T. Diestel, J. Bohné, M. Johne, B. Baum, A. Simon, M. Weinstein, A. Sabbagh, T. Schedler, M. Schöngen, C. Waitzinger, F. Freytag, B. Koch
Equipa de produção (seleção): A. Nagel, K. Prösel, F. Lotz, T. Nitschke, C. Struber, S. Weidner, J. Rügge, K. Petersen, B. Wolff, F. Baermann
Composição musical: Not A Machine
Região alvo da campanha: Europa
Canais: Cinema/Vídeo online, redes sociais, imprensa, instalação exterior, microsite stop-repeating-stories.org
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