Em algum momento das nossas vidas, todos já passámos pelo suplício de ter de tratar de algum assunto online através do site de um organismo público.
A surpresa surge quando acedemos ao site desse organismo e damos de caras com um design que, claramente, está na vanguarda. Sim, na vanguarda… mas do fim da fila.
E a pergunta que nos assalta nesse instante: o que fiz eu para merecer este castigo? Não bastava pagar a multa, ainda tenho de fazer trabalhos forçados?
Nesta primeira análise a designs duvidosos, vamos olhar para o site da DGT. Ajustámos o GPS para não nos perdermos nos labirintos e becos do site.
Para os mais aventureiros, aqui fica o link de acesso: DGT
Basta um olhar rápido para perceber que estamos perante um design feito para baralhar o utilizador. Talvez faça parte da identidade visual da DGT. Uma forma subtil de transmitir ao visitante a essência da “má condução”.

Segundo o que pude verificar no web.archive.org, o site foi redesenhado há quatro anos. No entanto, parece saído diretamente dos primórdios da internet.
O objetivo de qualquer página web, à primeira vista, deve ser facilitar ao utilizador a leitura da informação. Destacar o mais importante e apresentá-lo de forma que, quase sem pensar, o utilizador navegue rapidamente pelo conteúdo. Hierarquizar, para manter a ordem.
Se quisermos usar uma metáfora, o ideal seria uma estrada de sentido único, com o mínimo de saídas possível e, acima de tudo, com indicações claras.
Sem entrar ainda no aspeto visual, o primeiro erro do site da DGT é, resumidamente, um atentado à sanidade mental. Temos à disposição mais de 40 links!!!
É como conduzir, entrar numa cidade e deparar-nos com um cruzamento de 40 saídas.

Depois do choque inicial, recompomos-nos da “pancada visual”, voltamos a mexer o rato e, com sorte, lembramo-nos do motivo que nos levou ao site.
De cima para baixo, o primeiro elemento que encontramos é um link para o Contacto. Não digo que não seja importante, mas não poderia estar integrado no menu principal, poupando-nos esse link solitário? Para além disso, a tipografia escolhida é Arial Regular (Sim, já está bastante desatualizada, mas isso até seria o menor dos problemas).
Nos restantes links, optaram por Arial Narrow, a versão condensada da mesma fonte. Porque razão o link de contacto destoa visualmente dos outros?
Como já referi, usam-se em simultâneo Arial Regular e Arial Narrow. Péssima escolha. Isto cria um choque visual entre as fontes.
Se queremos usar fontes diferentes, o ideal é criar contraste. Se optarmos por uma só família tipográfica, o melhor é jogar com negritos ou itálicos. Mas usar a mesma fonte apenas variando a condensação raramente resulta bem visualmente.
Além disso, há inúmeras discrepâncias nos tamanhos das fontes ao longo do site. Cada imagem tem um tamanho diferente de letra e muitas estão pixelizadas. Um verdadeiro festival.
Tal como no ponto anterior, não existe uniformidade entre os elementos no que toca a margens e espaçamentos. Cada bloco segue o seu próprio critério. Excelente para a experiência de utilizador, sem dúvida.
Os sombreados já caíram em desuso há muito tempo. Usá-los é garantir que o site parece datado.
Se olharmos para as imagens laterais, não percebemos bem que mensagem pretendem passar. Aparecem três senhores confusos a fazer uma saudação digna do Ronaldinho. Talvez seja para nos transportar ainda mais ao passado.
Temos o logótipo do nosso estimado Governo com uma falha entre duas caixas: uma linha de fundo branco que não chega ao topo. Ou se tira, ou se prolonga até cima, mas este erro visual é gritante. O logótipo do Governo tem 60px de altura, ao lado o da DGT com 51px. Se alinhássemos ambos à mesma altura, já seria um avanço. E se ainda colocássemos um espaço entre eles, melhor ainda.
Logo abaixo do logótipo da DGT, ignorando a linha horizontal, temos um texto de conforto para o cidadão: “a tu lado vamos todos”. Obrigado, DGT.
À direita, mais dois banners. Ambos, para arredondar, com 76,39px de altura. Já agora, podiam ter posto o número π. Ambos pixelizados e com tamanhos de letra diferentes.
Lindos. Com um efeito hover digno de registo.
Teria sido sensato pensar num submenu desdobrável ao passar o cursor, reduzindo assim o número de links visíveis de uma só vez.
O slider de imagens pouco acrescenta, com um design digno dos anos 50. Daqueles tempos em que a internet nem existia. A tipografia está colada à imagem. O que é péssimo para a indexação do conteúdo e difícil de manter no backend.
O widget do feed do twitter, se é para estar tão pequeno, mais vale não estar.
Quanto aos links para redes sociais: cada ícone tem um tamanho diferente e estão sobre um fundo cinzento-escuro, suponho que para manter a “linha gráfica” do menu superior. Pois, parece que seguimos a linha gráfica apenas quando sabemos que vai ficar mal.
Naquela que deveria ser a zona mais forte do site, temos uma lista interminável de links. Alguns com imagem ao lado, outros não, uns com descrição, outros sem.
Seria preferível reduzir o número de links e uniformizar o estilo no uso de imagens e descrições.
A situação não melhora. Mantém-se a mesma lógica. Zero usabilidade e visualmente cansativo. Não exagero ao dizer que fiquei com a cabeça a andar à roda à medida que percorria aquele desfile de disparates gráficos.
Se fores ao site da DGT, recomendamos que não tenhas bebido uns copos antes e que apertes bem o cinto de segurança. E esperamos que, se lá foste parar, tenha sido por engano e não para pagar uma multa.
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